sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Quem ligou?

Essa foi a primeira vez que tive que lidar com algo que não entendia. Antes desse acontecimento, nunca acreditei que coisas inexplicáveis podiam acontecer de fato, mas agora tenho certeza que o sobrenatural é real.





Isso aconteceu logo depois de eu começar no meu emprego atual. Eu e meu supervisor estávamos no nosso escritório, lidando com papelada burocrática, quando recebemos uma ligação de uma moça de meia-idade que dizia ter uma mulher estranha em seu apartamento. Naturalmente, tivemos que investigar a reclamação e ajudá-la (se possível).

Apressados, fomos até o apartamento dela e chegamos lá por volta das 18h30. A mulher estava esperando por nós na rua, com medo de entrar sozinha em seu apartamento. Meu superior fez algumas perguntas, e ficamos sabendo que ela sempre tivera a sensação de que alguém estava a observando constantemente. Também disse que, quando notou que não estava sozinha, correu para fora e trancou a porta para seja lá quem estivesse na casa dela, não saísse.

Depois do questionário, abrimos a porta e tentamos investigar a cena. O apartamento era muito pequeno e as janelas estavam barradas com tábuas, o que significa que não havia lugar para alguém se esconder ou fugir. Vasculhamos cada canto da casa e não achamos sinais de invasores; no entanto, fiquei com a constante sensação de estar sendo vigiado. Sentia como se alguém estivesse andando por lá comigo e com meu superior, invisíveis a nossos olhos



De qualquer forma, tínhamos mais um lugar para olhar antes de sair: o quarto dela. Senti alguém chegando de fininho por trás de mim enquanto olhava dentro do guarda-roupa, então me virei rapidamente apontando minha arma. Para meu alívio, era a mulher que havia nos chamado; mesmo recebendo ordens para não entrar, ela havia nos seguido. Conferimos, nada havia sido roubado. Já estava na hora de vazarmos daquele lugar arrepiante, mas antes, meu supervisou aconselhou-a a procurar ajuda profissional, pois poderia estar desenvolvendo algum transtorno mental.

Agora aqui está a parte louca: Duas semanas depois desse estranho incidente, recebemos uma nova ligação da mesma mulher. A voz dela estava estranha, mas continuava repetindo "por favor, me ajuda" e desligou o telefone logo depois. Mesmo suspeitando que  ela estivesse apenas imaginando coisas como da última vez, decidimos que era melhor dar uma conferida.

Chegamos no apartamento dela pouco depois das nove 21h00 e fomos logo entrando. O primeiro lugar que checamos foi o quarto e, para nossa surpresa, encontramos o corpo dela. Chamei a ambulância o mais rápido possível enquanto meu supervisou examinava o cadáver. O mais estranho era que ela já estava morta fazia um certo tempo. Mesmo eu sendo um tanto inexperiente, meu supervisor já havia visto cadáveres suficientes para saber que já estava morta muito antes de nos ligar. Não parecia ser assassinato, pois não havia sinais de luta.

Levou dez minutos para a ambulância chegar e darem uma segunda opinião sobre o caso. Já estava morta fazia mais ou menos uma semana, e a causa da morte é desconhecida. Meu superior ficou muito mais calmo que eu, mas continuava em um estado de descrença. Decidimos nunca mais discutir sobre aquele caso, mas até hoje me arrepio pensando nesse incidente em particular. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário