sábado, 16 de janeiro de 2016

O que a morte significa/representa?! Parte I
















I - As reflexões de Hindy (Hindemburgo de Carvalho Lisboa),um místico/mestre/filósofo. 

"Para os entes queridos, saudades.
Para o agente funerário, lucro.
Para os vermes, comida.
Para o médico, fracasso.
Para o mártir, vitória.
Para o marxista, capitalismo.
Para o teórico, tese.
Para o antropólogo, cultura.
Para Drácula, sangue.
Para o que padece, alívio.
Para o que crê, esperança.
Para o descrente, vazio.
Para o sociólogo, laboratório.
Para o legista, formol.
Para o sacerdote, caminhada.
Para os amantes, solidão.
Para a terra, húmus.
Para os anjos, companhia.
Para os demônios, sarcasmo.
Para o Guru, retorno.
Para a comadre, assunto.
Para o chato, enfado.
Para o jornal, nota.
Para o cinema, bilheteria.
Para o coveiro, salário.
Para o jovem, desperdício.
Para o caçador, mais um.
Para o santo, recompensa.
Para o criminoso, resgate.
Para o trânsito, congestionamento.
Para o político, discurso.
Para o filósofo, dúvida.
Para o marceneiro, madeira.
Para o niilista, e daí?!
Para o agnóstico, sei lá!
Para o humorista, piada.
Para o fatalista, amanhã serei eu.
Para o indiferente, quem?!
Para o otimista, ficou bonito(a)!
Para o policial, rotina.
Para o hippie, viagem.
Para o juiz, processo.
Para a carola, reza.
Para o alquimista, transmutação.
Para o general, baixa.
Para o exausto, repouso.
Para o genro, enfim sós.
Para o inimigo, já vai tarde!
Para o cartório, herança.
Para o navio, naufrágio.
Para o prudente, cuidado.
Para o insensato, inevitável.
Para o palhaço, brincadeira.
Para o amigo, ausência.
Para o médiun, psicografia.
Para o poeta, soneto.
Para Graci, dissertação".



II - As reflexões de Cleiton Soares Zanini, um escritor instigado e tuiteiro

"Morte... Essa palavra tem permeado o consciente e o inconsciente da humanidade, desde a sua gênese. 
A morte é única verdade imutável; verdade essa que nenhum ser vivo pode alienar-se. É a única coisa da qual não se pode fugir. Ela abraça a todos de forma silenciosa e imperceptível.

Todos temem a morte, pois não sabemos para onde ela nos levará, após nos retirar de nosso mundo e nossas vidas, sejam elas boas ou não. Muitos odeiam a morte, por ela tirar de nosso convívio, as pessoas e seres que amamos. A morte é mal-vista, repudiada. E a humanidade, por séculos e séculos busca formas de retardar, de evitar a ação da morte. Mas, o que as pessoas não entendem, ou, por motivos óbvios, e se recusam a entender, é que a morte faz parte da vida. 


Todas as pessoas, sem exceção, morrem dia após dia. Células morrem, tecidos epiteliais morrem, o corpo, com o passar dos dias, meses e anos, se deterioram, falecem pouco a pouco; até a sua morte definitiva e irreversível. Morte e vida estão intimamente entrelaçadas; unidas de maneira indivisível, e andam, de mãos dadas, o longo caminho da eternidade".


III - As reflexões de Jamile Mroskowski, uma cereja v8

"Morte !!!
 Da morte não podemos escapar!
Devo temê-la ? ou desmistificá-la?
Não tenho medo da morte e sim da maneira que vou morrer ! quero que seja de infarto fulminante.....
Perder a vida ou ganhar a morte?
Pra onde vamos?
Acho que deveriamos chorar quando nascem as pessoas e fazer festa quando elas morrem....
morte seja ela natural ou tragica ! é a morte!

As vezes mentalizo meu velório! quero meus amigos fazendo festa e bebados !!!

Gosto da cultura mexicana a respeito dos mortos! é colorido e não funebre....
Mas também gosto da tranquilidade dos cemitérios! aquela coisa que a gente sente e não sabe explicar com palavras!  Uma sensação de mistério que só a morte nos proporciona!
MORTE ! quando vou encontrá-la?  parece doente mais eu não vejo a hora!!!"


IV - Reflexões de Daniel de Boni, philosopher e psychedelic man

ESBOÇOS SOBRE A MORTE
"Um sentimento inefável toma de assalto os corações mais desavisados.
Medo?
Pensamentos estranhos...
Alguém já dizia, remotamente: eis aí a única certeza da vida...
Essa aura de mistério que permeia o que designamos por cessação da existência. Término? Mesmo?
Como exprimir o inexprimível?
Como dizer o indizível?
Como perscrutar o imperscrutável?
Como sondar o insondável?
Difícil aceitar essa cruel tautologia, efêmera condição.
Condição de ser um átomo de pó. De fraquejar e sucumbir na hora implacável em que triunfa o acaso, o destino...?
O deus-verme se prepara para mais uma refeição deliciosa.
O Tao da vida regurgita a si mesmo, concebendo e restaurando a cada instante a matéria, engendrando e liquidando novas e velhas individualidades, novas causalidades à custa do processo irrevogável de construção e destruição.   
Quanto ela vale? O que ela vale?
Talvez nos faça um mero favor, talvez nos alivie desse turbilhão de contradições.
Corpos secos às margens hindus recebem indulgência, outros putrefatos bóiam à revelia das circunstâncias socialmente determinadas.
Sacrifícios.
Oferendas.
Um banquete antropológico.
Não devemos pensar?
No cerne da morte reflexões são tolices
Como?
Fé e confiança. Crença. Crença dogmática. Entregue à tradição, cega por um destino melhor, um itinerário ao fim do qual a plenitude, enfim, se revelaria.
Ah, terrível consciência. Consciência lânguida, mas consciente. Melhor parar de pensar nisto? Tanta curiosidade um dia me mata... Ao menos a loucura pode se instalar.
Não adianta, talvez a questão fundamental seja tentar compreender a função ética que a morte cumpre em cada um de nós. Se fosse assim tão simples....
Se iremos mesmo desintegrar, como sustentar razões pelas quais pudéssemos, no mínimo, nos consolar desse indubitável pensamento, desse triste sentimento. A morte pode ser pedagógica? Filosófica?
Talvez seja melhor respeitar a morte. Ela te ceifa, mas te ensina, te liberta. Se é que já não morremos.
Talvez as células nos façam recordar que essa sublime condição é inerente e atuante, mesmo passando quase despercebida.
Devir da existência.
Elixir cósmico".

Fonte: Morte&Cemitérios