domingo, 6 de dezembro de 2015

Possibilidades

Você conhece aquela teoria que fala sobre a existência de um número infinito de universos paralelos? Bem, se há um número infinito de universos, então, literalmente, todas as possibilidades devem coexistir em algum lugar. Basicamente existem versões infinitas de "você", com uma saindo do seu computador para ir beber um copo d'água. Outra indo jantar. Outra decidindo cortar alguns legumes para fazer um guisado. Outra, ao pegar a faca da gaveta, a deixa cair, escorregando junto até ser perfurada pela lâmina fria de metal. Outra é socorrida por um membro da família que havia escutado algum barulho. Outra mora sozinha, e sendo assim, nenhuma ajuda chegará até ela. Outra não será encontrada até o fedor de seu cadáver em decomposição levar um dos vizinhos a investigar sua casa.


Outra não tem vizinhos. Outra nunca será encontrada. Outra apodrecerá em casa por toda a eternidade, esquecida pelo resto do mundo. Outra continuará no computador. Outra está lendo isso. Outra vai se entediar, fechando esta guia sem ler até o fim. Outra realmente não deveria ter feito isso. Outra realmente não deveria olhar para trás. Outra olhou para trás e não encontrou nada. Outra pensou ter visto alguma coisa pelo canto do seu olho. Outra vai ligar a luz para espantar o desconforto que essa sensação trouxe. Outra não conseguirá ligar a luz. Outra vai verificar a caixa de fusíveis. Outra simplesmente voltará para o quarto, descobrindo que o assassino em série que tem sido notícia nos últimos tempos decidiu fazer a sua próxima vítima. Outra queria que houvesse um serial killer - pelo menos saberia o que era aquilo espalhando sangue no carpete. Outra sabe que aquilo não é real. Outra imploraria para que aquilo sumisse. Outra despistaria a polícia, contando porque tentou se matar. Outra não encontraria formas para se matar. Outra não consegue fazer os monstros irem embora.

Outra só consegue abafar os ruídos dos monstros com os gritos de suas vítimas. Outras está presa. Outra foi absolvida, estando livre para matar mais uma vez. Outra foi condenada à prisão perpétua. Outra à cadeira elétrica. Outra vai apodrecer em um manicômio pelo resto da vida. Outra conseguirá pintar as paredes do lugar com o próprio sangue, e aquelas imagens detalhadas de horrores além da imaginação conseguirão perturbar até mesmo o funcionário mais endurecido da instituição mental.

Outra ainda está lendo isso. Outra ainda nem começou. Outra não conseguirá lidar com as implicações existenciais deste texto. Outra não tem ideia do que isso significa. Outra buscará incessantemente por este significado. Outra terminou de ler isso. Outra está cansada de creepypastas por hoje. 

Outra acha que está segura. Outra está errada. Outra está muito, muito mais muito errada. 

Outra está se perguntando qual "outra versão" é a sua versão de agora. 

Outra está prestes a descobrir.

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