quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Jane

Hoje estarei postando um conto de um fã (com bom senso), apesar de se tratar se personagens que são bastantes famosos no meio do horror, adorei o conto, bem envolvente.

Isso sem falar que (ainda) não postei nada sobre tais personagens aqui no Mortalha, enfim, apreciem o conto.


[...]

Eu não sei dizer o que foi real e o que não foi.
Talvez tenha sido minha esquizofrenia. Talvez tenham sido os 39ºC de febre que me fizeram delirar durante aqueles 2 dias... mas o fato é que algo aconteceu.

Há tempos que não faço nada de útil na internet então aproveito meu tempo livre para ler algumas histórias pois é uma das poucas que ainda prendem minha atenção. Gosto de escrever as minhas então é sempre bom buscar idéias novas. Slender, Rake, Jeff, Masky, Eyeless Jack, entre outras... clichês à parte, são todas histórias muito boas e embora eu não sinta medo sei que muitas pessoas perdem o sono à noite após verem algumas imagens no google.

Recentemente encontrei algo sobre Jane. Jane the killer, Jane the murderer, Jane everlasting... ainda é muito recente então os nomes e as histórias se confundem mas fato é que ela é uma das vítimas de Jeff que sobreviveu e agora busca vingança em nome dela e das pessoas que Jeff à levou.
Ela quer matar Jeff? Ótimo! Bom, nem tanto. Um fato interessante é que isso não faz dela a mocinha da história pois pelo que pude entender ela busca matar as futuras vítimas do Jeff antes dele. Talvez para não deixar que sofram na mão dele, talvez porque ela queira ser melhor que ele... talvez porque ela seja só mais uma assassina e psicopata, assim como ele.

Mas não é sobre a briga deles ou sobre o passado dela que eu vim contar.

Na primeira noite eu estava dormindo e acordei no meio da madrugada sentindo calafrios e muita febre. Queria muito levantar para tomar um remédio e um pouco de água mas a dor no corpo e o desconforto eram tão grandes que eu não conseguia forças para sair da cama. Eu estava com frio mas a febre me fazia suar então eu joguei meu edredom para um canto e fiquei esparramado na cama esperando o sono voltar. Adormeci. Quando me dei por conta estava acordando outra vez, ainda era madrugada, não sei dizer a hora, só sei que minha febre estava pior e eu estava tremendo de frio. Procurei meu edredom e no momento em que eu o encontrei tratei de me cobrir.
Estava quase dormindo quando senti que algo pesar perto das minhas pernas. Imaginei ser a minha gata, Íris, pois ela tinha o hábito de dormir na minha cama. Pouco antes de dormir que fui notar um leve cheiro doce no ar. Não lembrava que minha gata tinha um perfume tão bom.

Passei o dia em repouso e tomando remédios. Foi à noite que as coisas começaram a ficar estranhas.

Novamente acordo no meio da madrugada. Calafrios, febre e muita dor de cabeça. Estava prestes a levantar quando escuto uma voz feminina que após uma breve risada disse '...não devia ter ido dormir, garoto'. Nesse momento pude perceber que o perfume doce estava presente no ar outra vez e, antes que pudesse assimilar qualquer coisa, senti que algo perfurava meio peito.
A dor foi tão intensa que não consegui gritar. Para piorar um pouco eu estava completamente enrolado em meu edredom, então não conseguia ver o que estava acontecendo. Juntei o resto das minhas forças para tirar a coberta do rosto e antes que pudesse o fazer senti outra vez. Já não precisava ver mais nada, estava certo do que estava acontecendo. Alguém estava me esfaqueando.
Mais um golpe e eu iria morrer, tenho certeza. Isso estava prestes a acontecer, quando ouvi alguém dizer em um tom de surpresa 'Jane?' ao que a voz feminina respondeu 'Jeff!'.

Momentos após isso só lembro de ter sentido a lâmina ser retirada do meu peito e ouvir muito barulho. Consegui descobrir meu rosto por um breve momento e tudo o que eu pude ver foram dois vultos agitados no meio da escuridão do quarto. Meus olhos se fecharam. Me esforcei o máximo que pude mas já não conseguia abri-los. A dor era insuportável e meu corpo doente não iria aguentar me manter consciente por muito tempo. Houve um estouro, uma risada, alguns passos... e no momento em que alguém sussurrou 'vá dormir' eu apaguei.

Na manhã seguinte a vizinha estranhou ver minha gata, com os pelos eriçados, arranhando a porta e, ao entrar em contato com o síndico, ambos entraram e me encontraram caído ao lado da minha cama. Não só o quarto mas boa parte do meu pequeno apartamento alugado estavam bastante destruídos e havia uma faca na minha mão.

Meus pais e alguns amigos ficaram sabendo e vieram me ver no mesmo dia. Contei à eles tudo o que lembrava daquela noite mas no momento em que fiz isso percebi que não havia sido uma boa idéia. Me encaminharam a um psicólogo que me encaminhou a um psiquiatra que disse algo a ver com "Sua febre fez você delirar e lavando em conta suas crises de esquizofrenia e suas leituras 'excêntricas' recentes, tudo leva a crer que em um lapso de insanidade foi você mesmo quem se machucou”. Que babaca.
No hospital onde fiquei me obrigaram a fazer algumas seções de terapia e algumas semanas depois do ocorrido estava tudo voltando ao normal.

Ninguém mais tocou no assunto.

Minhas noites eram difíceis. Não conseguia dormir direito pois sempre que fechava os olhos sentia minhas cicatrizes ainda frescas doerem.
Em uma noite qualquer simplesmente acordei e senti aquele perfume doce outra vez.
Gelei no exato momento em que lembrei do que havia acontecido e antes que pudesse pensar em qualquer reação senti algo deslizar na minha perna. Era ela. Aquela maldita faca. Eu tinha certeza de que era ela novamente. Meus ferimentos ferviam como se reconhecessem a lâmina que havia os feito.
Foi quando a voz disse "Shiiiiu’ ...eu só vim agradecer. Graças a você eu quase peguei o Jeff'.
Eu não conseguia me mover. Eu não conseguia responder. Na verdade mal conseguia respirar.
'Eu sei que você está acordado' ela disse 'Mas antes que eu vá embora tem mais uma coisa que eu gostaria de dizer.'
A faca que já estava na altura no meu ombro parou de deslizar.
'Jeff acha que você está morto. Mas não fique triste, nós três voltaremos a nos ver assim que ele descobrir que não está.'
Senti a lâmina fazer um pequeno corte no meu braço e instantes após o perfume havia sumido.


Claro que eu não contei isso a ninguém, tudo o que eu não quero é que me coloquem em um sanatório ou coisa do tipo.
Já faz alguns meses desde que esses fatos aconteceram. Me mudei 2 vezes durante esse tempo na esperança de que tudo isso saísse da minha cabeça mas acho que só o tempo vai consertar isso.
Se eu tenho dificuldades para dormir? Óbvio, quem não teria não é mesmo?

Quanto a Jane... eu nunca mais a vi. Mas vez por outra acordo à noite sentindo o seu perfume.

Autor: Denis

"Essa história foi escrita há pouco mais de 2 anos, na época Jeff e Jane eram recentes e não essa coisa batida que está hoje. Sei que muitos estão enjoados disso mas gostaria muito que ela fosse postada, pelo menos para ter um feedback a respeito da minha forma de escrever.
Espero que tenham gostado."