sábado, 31 de outubro de 2015

Feliz Halloween - Oito e Quinze
















A pintura acima é uma obra do artista Salvador Dalí, uma pintura bastante conhecida, intitulada de "A Persistência da Memória", uma obra que retrata muito bem o surrealismo

Embarque em uma viagem de um possível lapso de tempo, o tempo em que nos baseamos é estabelecido em três etapas: Presente, Passado e Futuro, porém existem evidências de possíveis viagens ou lapsos no tempo, confira um pouco mais sobre o assunto em um conto de minha autoria intitulado de "Oito e Quinze", aproveite bem esse Halloween, e fique atento, a noite está só começando.


Se quiser saber mais sobre o Halloween na matéria que escrevi há um Halloween atrás, clique aqui.

Oito e quinze
David Alves Mendes

Era por volta das oito e quinze da noite quando ele saia da casa de sua avó para buscar algo que havia esquecido. A distância que percorreria era muito pequena, porém suficiente para assustá-lo.

Ao dobrar a esquina se deparou com uma rua extremamente escura, a calçada parecia bem mais longa do que realmente era e sua casa estava a apenas quinze passos dali, mas no seu ponto de vista pareciam quinze metros.


Lentamente ele caminhou pela calçada estreita enquanto as folhas das árvores dançavam no ritmo do vento, o silêncio predominava quando uma pequena silhueta passou entre as árvores rompendo o silêncio pisoteando as folhas secas de outono caídas no chão, um calafrio percorreu por seu corpo, era apenas um gato, após o susto ele continuou caminhando.

Oito passos, nove passos, dez passos, onze passos...

A cada passo ele caminhava mais rápido. Quando chegou aos quinze, colocou a mão no bolso de uma maneira tensa pegou a chave e derrubou-a no chão. Ao pegá-la, contemplou sua casa por algumas frações de segundos. Simplória, acolhedora, mas com um ar pesado durante a noite.

Em um movimento rápido com as mãos colocou a chave na fechadura e girou tensamente assim como fez em seguida com a maçaneta.

A casa estava envolvida por uma enorme penumbra que logo cessou após ele apertar o interruptor e acender as luzes.

Rapidamente caminhou até seu quarto, abriu a porta do guarda roupa e pegou um pen drive bem escondido embaixo de alguns livros velhos e surrados. Enquanto fazia isso, acabou por derrubar um dos livros, o mesmo tinha uma aparência totalmente artesanal, parecia ter sido costurado à mão de forma a ficar meio torto, a capa estava meio esbranquiçada e era possível ver estampada a palavra “Ocultismo” quase ilegível. 

Ele olhava para trás repetidas vezes e não parecia querer esconder o quanto parecia tenso. Com o livro em mãos começou a folheá-lo sem razões aparentes (já o que queria mesmo era sair dali), o livro não era bem um livro, parecia mais uma espécie de diário de anotações, mas um diário coletivo, pois as letras de algumas partes eram diferentes de outras.


Ao colocar o livro no lugar onde estava pegou outro com um aspecto um pouco mais novo, esse parecia ter sido costurado de uma forma mais cuidadosa, porém devia ter sido impresso faz tempo, pois as páginas estavam bastante amareladas e desgastadas. O mesmo era uma versão impressa do outro livro, e nesse, era possível perceber que as anotações haviam sido escritas em intervalos de datas bastante longos, e pelo desenvolver da leitura, ficou comprovado que o mesmo havia sido escrito por várias pessoas, que foram dando continuidade ao longo do tempo, porém havia uma folha em branco, exatamente a que daria lugar a página 815.

Ele fechou o livro e o colocou de qualquer maneira no guarda roupa antes de fechá-lo Rapidamente colocou o pen drive no bolso com um certo cuidado e saiu dali às pressas, como se não gostasse de estar por ali sozinho, principalmente durante a noite.

A sua maneira de andar enquanto saía do quarto o lembrava quando era pequeno, quando tinha pesadelos de madrugada e tinha de sair de uma maneira discreta e apressada até o quarto de seus pais.

Em poucos segundos já se encontrava fora de casa, fechando a porta, e com uma rapidez imensa caminhava de volta à casa de sua avó.

Nessa caminhada de volta parecia mais tranquilo, porém ainda dava para perceber o quanto estava tenso. Talvez o que importasse para ele naquele momento era sair logo de perto daquela casa.

Quando chegou à sua avó, entrou e percebeu que sua prima não se encontrava mais lá, assim como sua avó. Ele, ficando nervoso novamente, começou a vasculhar a casa lentamente.

Primeiro se dirigiu a cozinha, que estava tão vazia e solitária quanto o resto da casa. Ele poderia aproveitar para beber água, já que a sede predominava, porém achou um momento inadequado.

Logo voltou em direção ao quarto, receoso, ele abriu a porta lentamente.

O lugar estava vazio, mas a tranquilidade o tomou quando ele lembrou que as duas iriam à pizzaria, e agora se arrependia de não ter ido junto delas.

Como diz o ditado, quem não tem cão, caça como gato. Aliviado foi até o armário da cozinha, pegou um pacote de bolachas cream cracker, um pouco de suco de graviola na geladeira e caminhou de volta ao quarto.

Lá estava o notebook de sua prima em cima da cama. Sentou-se de uma maneira desajeitada após colocar sua “janta” sobre a cadeira do lado da cama.

Levou um súbito susto ao perceber que o relógio do quarto assim como o do notebook marcava exatamente nove e catorze.

Mas o susto foi maior ainda quando ele colocou a mão nos bolsos e percebeu que nos mesmos não havia nada.

Estagnado começou a olhar os relógios, e todos começavam a marcar onze e quinze, desde o relógio de pulso, ao velho relógio de pêndulo que era possível ver ao longe na sala, porém havia algo diferente, algo que não parecia combinar com o clima. Aquele livro não estava ali quando ele saiu.


Começando a suar, levantou-se em direção ao relógio e pegou o velho livro sob o mesmo nas mãos, e ao ler o que havia no livro, o derrubou instantaneamente no chão.


Estava escrito:


"Era por volta das oito e quinze da noite quando ele saia da casa de sua avó para buscar algo que havia esquecido. A distância que percorreria era muito pequena, porém suficiente para assustá-lo.

Ao dobrar a esquina se deparou com uma rua extremamente escura, a calçada parecia bem mais longa do que realmente era e sua casa estava a apenas quinze passos dali, mas no seu ponto de vista pareciam quinze metros.


Lentamente ele caminhou pela calçada estreita enquanto as folhas das árvores dançavam no ritmo do vento, o silêncio predominava quando uma pequena silhueta passou entre as árvores rompendo o silêncio pisoteando as folhas secas de outono caídas no chão, um calafrio percorreu por seu corpo, era apenas um gato, após o susto ele continuou caminhando.


Oito passos, nove passos, dez passos, onze passos...


A cada passo ele caminhava mais rápido. Quando chegou aos quinze, colocou a mão no bolso de uma maneira tensa pegou a chave e derrubou-a no chão. Ao pegá-la, contemplou sua casa por algumas frações de segundos. Simplória, acolhedora, mas com um ar pesado durante a noite.


Em um movimento rápido com as mãos colocou a chave na fechadura e girou tensamente assim como fez em seguida com a maçaneta.


A casa estava envolvida por uma enorme penumbra que logo cessou após ele apertar o interruptor e acender as luzes.


Rapidamente caminhou até seu quarto, abriu a porta do guarda roupa e pegou um pen drive bem escondido embaixo de alguns livros velhos e surrados. Enquanto fazia isso, acabou por derrubar um dos livros, o mesmo tinha uma aparência totalmente artesanal, parecia ter sido costurado à mão de forma a ficar meio torto, a capa estava meio esbranquiçada e era possível ver estampada a palavra “Ocultismo” quase ilegível. 


Ele olhava para trás repetidas vezes e não parecia querer esconder o quanto parecia tenso. Com o livro em mãos começou a folheá-lo sem razões aparentes (já o que queria mesmo era sair dali), o livro não era bem um livro, parecia mais uma espécie de diário de anotações, mas um diário coletivo, pois as letras de algumas partes eram diferentes de outras.


Ao colocar o livro no lugar onde estava pegou outro com um aspecto um pouco mais novo, esse parecia ter sido costurado de uma forma mais cuidadosa, porém devia ter sido impresso faz tempo, pois as páginas estavam bastante amareladas e desgastadas. O mesmo era uma versão impressa do outro livro, e nesse, era possível perceber que as anotações haviam sido escritas em intervalos de datas bastante longos, e pelo desenvolver da leitura, ficou comprovado que o mesmo havia sido escrito por várias pessoas, que foram dando continuidade ao longo do tempo, porém havia uma folha em branco, exatamente a que daria lugar a página 815.


Ele fechou o livro e o colocou de qualquer maneira no guarda roupa antes de fechá-lo Rapidamente colocou o pen drive no bolso com um certo cuidado e saiu dali às pressas, como se não gostasse de estar por ali sozinho, principalmente durante a noite.


A sua maneira de andar enquanto saía do quarto o lembrava quando era pequeno, quando tinha pesadelos de madrugada e tinha de sair de uma maneira discreta e apressada até o quarto de seus pais.


Em poucos segundos já se encontrava fora de casa, fechando a porta, e com uma rapidez imensa caminhava de volta à casa de sua avó.


Nessa caminhada de volta parecia mais tranquilo, porém ainda dava para perceber o quanto estava tenso. Talvez o que importasse para ele naquele momento era sair logo de perto daquela casa.


Quando chegou à sua avó, entrou e percebeu que sua prima não se encontrava mais lá, assim como sua avó. Ele, ficando nervoso novamente, começou a vasculhar a casa lentamente.


Primeiro se dirigiu a cozinha, que estava tão vazia e solitária quanto o resto da casa. Ele poderia aproveitar para beber água, já que a sede predominava, porém achou um momento inadequado.


Logo voltou em direção ao quarto, receoso, ele abriu a porta lentamente.


O lugar estava vazio, mas a tranquilidade o tomou quando ele lembrou que as duas iriam à pizzaria, e agora se arrependia de não ter ido junto delas.


Como diz o ditado, quem não tem cão, caça como gato. Aliviado foi até o armário da cozinha, pegou um pacote de bolachas cream cracker, um pouco de suco de graviola na geladeira e caminhou de volta ao quarto.


Lá estava o notebook de sua prima em cima da cama. Sentou-se de uma maneira desajeitada após colocar sua “janta” sobre a cadeira do lado da cama.


Levou um súbito susto ao perceber que o relógio do quarto assim como o do notebook marcava exatamente nove e catorze.


Mas o susto foi maior ainda quando ele colocou a mão nos bolsos e percebeu que nos mesmos não havia nada.


Estagnado começou a olhar os relógios, e todos começavam a marcar onze e quinze, desde o relógio de pulso, ao velho relógio de pêndulo que era possível ver ao longe na sala, porém havia algo diferente, algo que não parecia combinar com o clima. Aquele livro não estava ali quando ele saiu.



Começando a suar, levantou-se em direção ao relógio e pegou o velho livro sob o mesmo nas mãos, e ao ler o que havia no livro, o derrubou instantaneamente no chão."

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